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A PESQUISA

 

A estatuária de Porto Alegre é marcada por uma sub-representação da pessoa negra. Em mapeamento realizado no início dos anos 2000, Alves (2004) encontrou 312 esculturas públicas na cidade. Destas, apenas 7 eram representações de negros ou da cultura negra, em contraste a uma exaltação a personalidades brancas.  Há, portanto, um silêncio representativo que fortalece o discurso de que a população negra não é parte de Porto Alegre. Diante disso, este trabalho propõe ressignificar a simbologia do Parque Farroupilha, resgatado, aqui, como a Redenção. A partir da criação de um ambiente virtual de visitação, apresentamos O Monumento Ausente. Inserido nos jardins centrais, o Monumento é composto por três figuras, duas femininas e uma masculina. A figura central, destacada, é uma mulher negra, grávida - a mãe, a genitora, o passado gerindo o futuro -, sentada em frente a outras duas figuras: um homem negro, vestido com indumentária gaúcha, representando a luta rural contra a escravatura e reforçando a ideia de que a identidade gaúcha não é somente europeia, mas também negra e indígena; e uma mulher vestida a caráter, segurando um livro, simbolizando a luta abolicionista urbana do século XIX. O monumento digital criado tem como base uma colagem do artista, que agrega fotos antigas e modernas para compor a cena que mescla elementos de época e referências atuais.

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O apagamento histórico e artístico das populações negras e dos povos originários, que nos distancia dos nossos iguais e dos lugares que eles habitavam, segue presente nas ruas pelas quais muitos de nós precisam seguir caminhando. Fazer ressurgir essa história é lembrar o povo gaúcho da significância e da história de um lugar e para a população negra gaúcha, um autoconhecimento negado por anos e um pertencimento à uma terra que nos esquece.

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